A Croácia aderiu à União Europeia (UE) no dia 1 de Julho de 2013, ao fim de dez anos de intensas negociações com Bruxelas. Tornou-se o 28.o membro da comunidade europeia. Zagrebe festeja o feito histórico 20 anos depois da sua independência. Com a adesão os croatas ficam numa posição de vantagem sobre os seus inimigos históricos, embora a Eslovénia tenha sido o primeiro país da antiga Jugoslávia a tornar-se membro da UE.

 

O processo de adesão da Croácia à UE é o culminar de uma luta que tem sido travada ao longo de muitos anos. Não se trata apenas de conflitos militares mas também de combates políticos O país, situado no Sul da Europa, tem ultrapassado obstáculos de natureza política que lhe permitiram conquistar este direito.

 

No dia 22 de Janeiro de 2012, milhares de croatas foram chamados às urnas para se pronunciarem sobre a adesão em referendo.

O resultado do escrutínio também pode ser considerado importante porque 66% dos eleitores responderam afirmativamente ao projecto europeu e 33% votaram contra. No entanto, as autoridades croatas esperavam uma maior afluência às urnas num momento delicado como este, já que só participaram 47% dos eleitores registados. Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, declarou que „a adesão mudará a vida do país para melhor“. Não obstante os responsáveis políticos locais e europeus estarem de acordo quanto à importância do momento, o ponto mais alto das celebrações ocorreu quando se ergueu uma placa com a sigla „UE“ na fronteira com a Sérvia, o que assinalou um corte irrevogável com o passado.

 

VANTAGENS PA RA O PAÍS E PARA A UE Embora os responsáveis pela assinatura do tratado de adesão tenham considerado o momento „histórico“, as primeiras eleições europeias pós-adesão, realizadas a 14 de Abril, não suscitaram grande interesse da população. A taxa de participação ficou muito abaixo do esperado pelas autoridades locais, tendo ficado pelos 21%. Devido à recessão (a diminuição do PIB anda na casa dos 2%) e ao desemprego, de 22%, as pessoas não se sentiram motivadas para participar no sufrágio europeu. Apesar da pouca expressão eleitoral da primeira tentativa, no próximo ano é previsível que um maior número de pessoas vote nas eleições para o Parlamento Europeu. No entanto, „os croatas estão orgulhosos por acolherem os direitos e as obrigações decorrentes de pertencerem à UE“, garante Sandra Petrovic Jakovina. A entrada no espaço europeu vai modernizar o país, fazer crescer a economia bem como promover a paz na região. Sandra Jakovina entende que „a sociedade croata nunca teve uma oportunidade como esta“, já que os cidadãos podem aderir „à livre circulação de pessoas e ao mercado concorrencial“.

 

Não obstante a crise financeira em que se encontra o país, a Croácia vai ficar a ganhar com a entrada no espaço europeu porque as condições de vida da população vão melhorar. Não é só uma vantagem para o país: é a própria UE que colhe benefícios. Paulo Rangel define a adesão croata como „o sinal mais expressivo de vitalidade da UE nos últimos anos“. O eurodeputado do Partido Popular Europeu (PPE) vai mais longe e afirma que, „ao integrar um dos protagonistas da única guerra europeia depois de 1945, a UE volta à sua matriz original“. Além do mais foi a UE que „pediu à Croácia paz e democracia“. Zagrebe necessitou de fazer reformas estruturais depois de ter aceitado o convite formulado pelas entidades europeias. As alterações consistiam na adopção de novas medidas legais e políticas para fortalecer o processo democrático e a maior cooperação com o Tribunal Penal Internacional (TPI). Numa altura em que a UE se encontra em crise, as alterações para entrar no clube europeu parecem não ser suficientes porque nos últimos meses as entidades croatas equacionaram um pedido de ajuda formal ao Fundo Monetário Internacional.

 

INTEGRAÇÃO DOS PAÍSES BALCÂNICOS As negociações com a Sérvia para a entrada na UE deverão iniciar-se em Janeiro de 2014. Zagrebe abriu uma porta que Belgrado deverá aproveitar no futuro. A relação dos croatas com os sérvios tem sido difícil, apesar de as duas línguas serem próximas uma da outra. A divergência não é só cultural mas também histórica, e as acusações mútuas no TPI não ajudam.

Por estas razões, os Balcãs só conseguirão ser um importante centro de decisão política e uma alavanca económica na Europa quando existir estabilidade na região.

 

As rivalidades actuais não impediram o presidente Tomislav Nikolic de estar presente na cerimónia de adesão da Croácia. Sandra Jakovina não tem dúvida de que a relação entre os dois países vizinhos „é importante para o futuro da UE“. A eurodeputada do grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas assegura que a Croácia „quer a integração dos restantes países dos Balcãs no projecto europeu“ e acrescenta que „a sua integração deve ser a prioridade da UE em matéria de alargamento“. Por seu lado, Paulo Rangel confessa que „a adesão da Croácia abre a esperança da entrada futura da Sérvia e dos restantes países na região“. Pelo exposto podemos concluir que é uma questão de tempo até que os Balcãs criem a sua própria organização política dentro da estrutura europeia.

 

Embora a tensão na região seja cada vez menor, ainda há machados de guerra por enterrar.

A independência do Kosovo criou um novo foco de conflito que não está resolvido. Os países balcânicos têm de se entender para Bruxelas não ser palco de uma guerra política, até porque nesta altura a União precisa especialmente de estabilidade, devido à crise financeira que se instalou no continente.